Um refúgio com 400 anos e o casal que o recuperou com as próprias mãos

Por Sara Vieira,

Ao longo da vida, e durante as nossas viagens, passamos por vários alojamentos e hotéis. Lá cruzamo-nos com pessoas.
Algumas delas simpáticas. Mas que acabamos eventualmente por esquecer. Outras especiais, que guardamos para sempre connosco.
 
São pessoas raras.
Com a capacidade incrível de tornar uma simples estada numa experiência inesquecível. De transformar um hotel numa segunda casa.
 
São estas as pessoas que iremos (dar a) conhecer, numa nova série intitulada “O Que Eu Andei Para Chegar Aqui“. Uma série sobre histórias de vida, aventuras e sonhos concretizados. Mas acima de tudo sobre pessoas.

 
Na Outeiro Tuías – Manor House, uma casa a apenas 50 km do Vale do Douro, os hóspedes são recebidos de braços abertos por um casal extraordinário: a Inês e o José Maria. A simpatia dele, o sorriso dela, a cordialidade e hospitalidade de ambos marcam todos os que por aqui passam.

“Os proprietários fizeram-nos sentir em casa”.
“Ficamos rendidas ao encanto da propriedade e simpatia dos proprietários. Sentimo-nos em casa”.

Quantos mais hóspedes ouvimos, maior a convicção que este é de facto um local especial – gerido por pessoas especiais.
 

“Os hóspedes são como família. Quando vão embora, ficam mesmo tristes (…) e isso emociona-nos” – José Maria

Nesta casa as pessoas estão no centro de toda a experiência e a história dos hóspedes cruza-se com a dos anfitriões.

Nas conversas que se prolongam ao pequeno-almoço.
Nas despedidas que emocionam.
Nas cartas e correspondência que trocam.
Nas visitas que se repetem duas, três, quatro vezes…
 
Forte ligacao hospedes Outeiro Tuías – Manor House

Mas para perceber a extraordinária história deste casal e da casa que hoje partilham com o mundo temos de recuar a 1618. A data de construção da Casa do Outeiro.

Desde sempre na família de José Maria, esta casa de traça portuguesa conta com a rara particularidade de ter uma capela ao meio, dedicada à Nossa Senhora do Pilar.

A história da Casa do Outeiro

Durante muitas gerações a Casa do Outeiro acolheu a família inteira. Mas mais recentemente, na geração do avó e do pai, esta era sobretudo uma casa de férias. Foi lá que, durante muito anos, José Maria passou as longas férias de verão e as Páscoas em família.

Entretanto, há cerca de trinta anos, a Inês e o Zé Maria mudaram-se para aqui. Na altura viviam em metade da casa. Mas já sabiam o quão especial este espaço era e a vontade de o partilhar com o mundo começou a fazer-se sentir. O sonho estava lá.

Até que Zé Maria acabou por herdar a outra parte da casa e o casal recuperou o sonho de há muitos anos.

E, acreditem, foi literalmente isso que fizeram.
 
A recuperacao da Casa do Outeiro

A Inês restaurou móveis. Reconstruiu os quartos. Fez as cortinas e as colchas. Tratou da decoração e de todos os pormenores.

Zé Maria assumiu a parte exterior da casa. Preparou as melhores sugestões e itinerários. Abriu as portas da sua casa de família e hoje em dia recebe todos os hóspedes com um sorriso e uma garrafa de Vinho Verde, um ícone da região.
 
Arte de bem receber Casa do Outeiro

Zé Maria confidencia-nos com orgulho: “A Inês já fez tudo quanto é possível. Deu aulas em Timor. Fez as obras todas cá em casa. Não há nada que não tenha feito. É impressionante”. E a sua história reflete isso mesmo. Inês conta-nos que era advogada. Mas que já foi modelista, com o sonho de estudar hotelaria.

Multifacetada, Inês garante que a experiência dos hóspedes é memorável. Do carinho que coloca nos pequenos-almoços, à aprimoração dos quartos. Com uma notável atenção ao detalhe.

A família de José Maria conta com uma forte ligação à produção de vinho no Douro e o José acabou por continuar esta tradição secular. Produziu até 2011 Vinho Verde com a marca da quinta. Hoje domina a arte de bem receber e no próximo ano as marcas que comercializou durante 20 e muitos anos voltarão a aparecer pelas mãos de um amigo.

O futuro da Casa do Outeiro

Ao longo desta caminhada, os filhos – a Inês, a Pilar, a Rita e o Gustavo – observaram cada passo em direção à concretização deste sonho.

Dar continuidade e fazer crescer ainda mais este projeto tornou-se um objetivo de vida para a Inês e para a Pilar.
 

“Crescemos com o sonho de partilhar esta casa com muita gente. Um dia dar continuidade ao projeto (…) é muito forte a nível sentimental” – Pilar

Para o futuro fica a ambição de expandir a Outeiro Tuías – Manor House e aproveitar toda a casa. Assim como fazer casamentos, de forma a tirar partido da lindíssima capela que possuem.

Rendidos a este espaço e às pessoas que o tornaram realidade? Nós estamos, certamente!

 
Conhece outros hotéis e alojamentos geridos por pessoas excecionais?
Deixem-nos as vossas sugestões na caixa de comentários e quem sabe essa será a história que teremos o prazer de contar no nosso próximo artigo!